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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

DISCURSO SOBRE O FILHO-DA-PUTA

Dedico este post aos meus amigos que comigo trabalham e que estão a ser vítimas de uns senhores, pequenos e grandes, de acordo com o citado na poesia.

Trata-se de uma poesia recebida praticamente em contexto de clandestinidade, uma poesia de elite, antes e depois da Revolução de Abril, lida, comentada em surdina pelos leitores fiéis do controverso autor do Discurso sobre o Filho-da-Puta[1], que ocupa por direito um lugar privilegiado no espaço do que poderemos chamar de criação literária de Vanguarda pós-moderna.



[1] 6.ª ed., Lisboa: Editorial Teorema, 2000. Esta obra, em que perfilam estirpes diversas de heróis negativos da nossa modernidade, apresentados num registo arguto e pessoalíssimo que harmoniza o rigor ensaístico (etnológico e sociológico) com a visão feroz do panfletário, conta já com cinco edições estrangeiras (italiana, 1980, brasileira, 1983, espanhola, 1990, catalã, 1990, francesa, 1996).

             Discurso sobre o Filho-da-Puta

I

o pequeno filho-da-puta

é sempre

um pequeno filho-da-puta;

mas não há filho-da-puta,

por pequeno que seja,

que não tenha

a sua própria

grandeza,

diz o pequeno filho-da-puta.

 

no entanto, há

filhos-da-puta

que nascem grandes

e

filhos-da-puta

que nascem pequenos,

diz o pequeno filho-da-puta.

 

de resto,

os filhos-da-puta

não se medem aos palmos,

diz ainda

o pequeno filho-da-puta.

 

o pequeno

filho-da-puta

tem uma pequena

visão das coisas

e mostra em

tudo quanto faz

e diz

que é mesmo

o pequeno filho-da-puta.

 

no entanto,

o pequeno filho-da-puta

tem orgulho em

ser

o pequeno filho-da-puta.

 

todos

os grandes filhos-da-puta

são reproduções em

ponto grande

do pequeno filho-da-puta,

diz o pequeno filho-da-puta.

 

dentro do

pequeno filho-da-puta

estão em ideia

todos os grandes filhos-da-puta,

diz o pequeno filho-da-puta.

 

tudo o que é mau

para o pequeno

é mau

para o grande filho-da-puta,

diz o pequeno filho-da-puta.

 

o pequeno filho-da-puta

foi concebido

pelo pequeno senhor

à sua imagem e

semelhança,

diz o pequeno filho-da-puta.

 

é o pequeno

filho-da-puta

que dá ao grande

tudo aquilo de que ele

precisa

para ser o grande filho-da-puta,

diz o pequeno filho-da-puta.

 

de resto,

o pequeno filho-da-puta vê

com bons olhos

o engrandecimento

do grande filho-da-puta:

o pequeno filho-da-puta

o pequeno senhor

Sujeito Serviçal

Simples Sobejo

ou seja, o pequeno filho-da-puta.

 

 

II

 

o grande filho-da-puta

também em certos casos começa

por ser

um pequeno filho-da-puta,

e não há filho-da-puta,

por pequeno que seja,

que não possa

vir a ser

um grande filho-da-puta,

diz o grande filho-da-puta.

 

no entanto, há

filhos-da-puta

que já nascem grandes

e

filhos-da-puta

que nascem pequenos,

diz o grande filho-da-puta.

 

de resto,

os filhos-da-puta

não se medem aos palmos,

diz ainda

o grande filho-da-puta.

 

o grande

filho-da-puta

tem uma grande

visão das coisas

e mostra em

tudo quanto faz

e diz

que é mesmo

o grande filho-da-puta.

 

por isso

o grande filho-da-puta

tem orgulho em

ser

o grande filho-da-puta.

 

todos

os pequenos filhos-da-puta

são reproduções em

ponto pequeno

do grande filho-da-puta,

diz o grande filho-da-puta.

 

dentro do

grande filho-da-puta

estão em ideia

todos os

pequenos filhos-da-puta,

diz o grande filho-da-puta.

 

tudo o que é bom

para o grande

não pode

deixar de ser igualmente bom

para os pequenos filhos-da-puta,

diz o grande filho-da-puta.

 

o grande filho-da-puta

foi concebido

pelo grande senhor

à sua imagem e

semelhança,

diz o grande filho-da-puta.

 

é o grande

filho-da-puta

que dá ao pequeno

tudo aquilo de que ele

precisa

para ser o pequeno filho-da-puta,

diz o grande filho-da-puta.

 

de resto,

o grande filho-da-puta vê

com bons olhos

a multipliccação

do pequeno filho-da-puta:

o grande filho-da-puta

o grande senhor

Santo e Senha

Símbolo Supremo

ou seja, o grande filho-da-puta.

 

Alberto Pimenta

publicado por maluco q.b. às 14:43
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1 comentário:
De Teresa Silva a 22 de Novembro de 2007 às 23:35
Élá!!! Tb sou do porto carago!!!

Passa no meu espacinho dedicado á minha história e partilha opiniões sugestões entre outras coisas neste meu novo blog... Fico á espera...

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